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As eleições de 2016 e os desafios para a CUT

Escrito por: Jasseir Alves Fernandes

18/10/2016

Partidos como PT, PSDB, PSB e PMDB tiveram performances bem diminuídas em relação a outros pleitos eleitorais.

As últimas eleições no Espírito Santo mostraram para a sociedade, de forma geral, e para as forças de esquerda, em particular, a profunda distância entre o eleitorado e aqueles que se propõem a atuar como seus representantes. Como no restante do Brasil, a saraivada de votos brancos e nulos, somados às abstenções, mostram um eleitor distante do universo da política. Mais que isso, avesso à política e aos políticos. É sobre este tópico que vamos nos deter neste artigo.

Tal distanciamento soa como um claro reflexo da propaganda negativa que a mídia faz da política cotidianamente. A mídia não busca denunciar mal feitos na política. Pelo contrário, ela busca criminalizar a ação política, utilizando para isso a fórmula mágica de incutir no inconsciente coletivo a não necessidade ou até mesmo a aversão ao debate político e sério. E, dessa forma, a assertiva de “político é tudo igual” passa a vigorar,  nivelando por  baixo, a participação. E, se assim o é (todos iguais), não há por quê escolher. Vota-se em qualquer um, sem preocupação com projetos ou partidos? 

A questão “partido” é outra vertente interessante. O discurso mais ouvido junto ao senso comum é do “não voto em partido, voto em pessoa”. Ora, a pessoa a ser votada pertence a um partido e é em nome dele que ela vai negociar votações e aprovação ou reprovação de projetos. E, assim, o “ninguém” se fortaleceu e foi um dos grandes vencedores das eleições esse ano (em São Paulo, o ninguém teve mais votos que o prefeito eleito no primeiro turno). Atribui-se ao ninguém a destinação dos votos brancos, nulos e abstenções.

Nesse cenário, grandes partidos no Espírito Santo foram os grandes perdedores na eleição de 2016. Partidos como PT, PSDB, PSB e PMDB tiveram performances bem diminuídas em relação  a outros pleitos eleitorais. Embora no Brasil o Partido dos Trabalhadores tenha sido o grande perdedor, no Espírito Santo os partidos de menor expressão se sobressaíram. É o resultado do discurso que tomou força, da opção pela “não político”, pelo “não profissional da política”. Ouro de tolo, já que quem governa os cidadãos e cidadãs que não gostam de política, são pessoas que gostam, e muito!

No fundo, o que se pode traduzir dessa última eleição é o profundo desserviço que a grande mídia fez ao país, ao demonizar ou mesmo criminalizar a política. Movimentos de pequenos grupos claramente ligados à direita, acabaram se consolidando como a alternativa não política para o voto. Embora não fosse a intenção da grande mídia enfraquecer partidos tradicionais da direita, isso se fez necessário devido à grande missão que ela assumiu, que era acabar com o PT, enfraquecê-lo ao máximo ou mesmo extirpá-lo.

Os resultados finais mostram um cenário ruim para os trabalhadores. A falta de debate eleitoral se refletirá nas Câmaras e no exercício do Executivo em falta de debate com a sociedade. Faltarão vereadores representantes dos trabalhadores para debater suas posições nas tribunas municipais, o que os excluirá de decisões e do destino das mesmas.

A lição que fica é a grande necessidade de formação que a CUT tem pela frente. Ativar os canais formativos da Central em busca de trabalhadores é uma tarefa imediata e urgente. Formar equipes de formadores, trazer cursos variados, fazer a conexão do aprendizado com a vida do trabalhador, permitir a ele entender como se dão as relações de trabalho no Brasil a partir de uma visão histórica e de sua própria vivência é desenvolver a sua capacidade crítica diante da realidade que o cerca. Despolitizar é o papel que a grande mídia tem desenvolvido com sucesso. Politizar é o grande desafio da CUT hoje através da formação permanente e incessante. Formar para o debate, para a concepção de mundo, para o entendimento da reprodução das relações de trabalho, para o combate ao machismo, ao racismo e a toda forma de intolerância que oprime, humilha, maltrata e mata torna-se mais que um desafio. É hoje uma missão. Ou nos decidimos a encará-la com rebeldia e tenacidade, ou corremos o risco de ver nossos projetos e sonhos construídos se esfacelarem no cotidiano de tragédias que a direita golpista quer impor a uma sociedade despolitizada e dividida.

 

Jasseir Alves Fernandes

Presidente da CUT/ES

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